Uns escritos…

Um dia uma pessoa encontrou dentro de um livro que pegou emprestado comigo, uma poesia. Ela estava escrita à mão em um guardanapo velho, de papel. E quando me devolveu o livro perguntou se eu me lembrava de quem era a poesia, porque tinha gostado muito. Eu então peguei o papel, olhei o que estava escrito e corei imediatamente. Foi como se tivessem caído todas as peças de roupa que eu vestia naquele momento.
Pela primeira vez na vida alguém lia” meus escritos”.
Eu sempre gostei de escrever, mas entre gostar de escrever e ter algo para ser lido por outras pessoas, na minha insegurança, isso era impossível.
Eu nasci numa época em que livros e papéis eram importantes demais, e o que se lia era sempre algo que valeria a pena, não apenas pelo conhecimento que encontraria ali, mas porque o tempo que você investiria lendo seria de qualidade. E, como eu atribuía um valor alto demais para tudo que eu lia, nunca achava que o que eu escrevia, de fato, era tão relevante.
Por isso por muitos anos joguei tantos “escritos” ao vento.
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